10.7.17

Os primeiros protestantes brasileiros - Os índios

Os primeiros protestantes brasileiros
Em trabalho inédito, historiadora revela que a primeira igreja evangélica do Brasil foi criada por índios da tribo potiguara convertidos por holandeses em Pernambuco. Perseguidos pelos portugueses, eles se refugiaram no Ceará

Muito se fala do legado das invasões holandesas no Brasil, que duraram quase três décadas durante o século XVII. A cidade do Recife, por exemplo, quartel-general dos invasores em Pernambuco, guarda até hoje as marcas do urbanismo batavo, com ruas e avenidas de traçado reto e pouco usual para a época. Em museus do Brasil e do mundo, sobrevive a arte de gênios holandeses da pintura e da botânica como Albert Eckhout e Frans Post, que documentaram o Brasil com cores e formas incomuns em outros registros. A partir de agora, um lado mais obscuro, mas não menos importante, da herança holandesa deve ganhar renovada atenção: o religioso. No livro “A Primeira Igreja Protestante do Brasil” (Ed. Mackenzie, 2013), lançado na semana passada, a historiadora e professora cearense Jaquelini de Souza conta a história da “Igreja Reformada Potiguara”, criada por índios com apoio holandês e mantida em funcionamento pelos nativos mesmo depois da expulsão desses colonizadores pelos portugueses.





Como a história de qualquer igreja em seus primórdios, a da Igreja Potiguara começa confusa, com a ida para a Holanda, em 1625, daqueles que viriam a ser duas de suas maiores lideranças indígenas. Pedro Poty e Antônio Paraupaba, índios potiguaras, embarcaram para os Países Baixos em junho daquele ano sem saber bem o que fariam por lá. Ao aportar, foram apresentados ao que o país tinha de melhor, receberam educação formal e religiosa de ponta e logo se converteram ao protestantismo. Mas, diferentemente do que costumava acontecer com índios que iam à Europa com os ingleses e os franceses, cinco anos depois Paraupaba e Poty voltaram ao Brasil, em data que coincide com o início da segunda invasão holandesa (leia quadro) no País. Por aqui, assumiram funções administrativas, militares e espirituais. Aos poucos, deram corpo, com outros índios igualmente educados na fé, a um programa intenso de catequese e de formação de professores reformados indígenas. Incipiente, a igreja em formação se reunia nas aldeias e fazia batismos, casamentos, profissões de fé e ceias do senhor. “Já era a Igreja Potiguara porque, teologicamente, havendo dois ou três reunidos em nome de Deus, independentemente do lugar, está ali uma igreja”, diz Jaquelini.

Pouco na nascente igreja a fazia diferir de outras experiências religiosas europeias nas Américas. Havia o componente protestante, que aproximava o índio do colonizador de forma inédita por colocar a educação do nativo como pré-requisito para sua conversão, algo que os católicos pouco faziam. Mas, ainda assim, tratava-se de uma experiência religiosa mediada por uma força impossível de ignorar: a de colonizador sobre colonizado. “Por isso, argumento que foi só depois da expulsão dos holandeses que vimos aflorar a verdadeira Igreja Potiguara”, diz Jaquelini. Expulsos do Brasil em 1654, os batavos abandonaram os potiguaras convertidos e outros nativos, aliados políticos e militares contra os portugueses, à própria sorte. Mesmo assim, a maioria dos protestantes manteve sua fé. Refugiados dos portugueses na Serra da Ibiapaba, no Ceará, onde chegaram depois de caminhar 750 quilômetros do litoral pernambucano ao sertão, eles continuaram praticando a fé protestante e chegaram a converter índios tabajaras, que também estavam no refúgio. Enquanto isso, Paraupaba, já tido como um brilhante historiador e profundo conhecedor da “Bíblia”, tentava, na Holanda, apoio para os refugiados – um esforço que não rendeu frutos imediatos.

Nada, porém, tirou o peso da experiência protestante na Ibiapaba. Um relato do famoso padre Antônio Vieira, jesuíta português incumbido de relatar à Companhia de Jesus o que acontecia na região, dá o tom ao batizar o lugar de “Genebra de todos os sertões”. A cidade de Genebra está para os protestantes como o Vaticano está para os católicos. Em outro trecho, Vieira diz que os índios “estão muitos deles tão calvinistas e luteranos como se nasceram em Inglaterra ou Alemanha”. Não se sabe ao certo o que restou dos índios da Igreja Potiguara depois que o grupo se desfez, ao que tudo indica, passados seis anos de vida em comunidade na Ibiapaba. Especula-se que alguns se juntaram aos opositores dos portugueses durante as Guerras dos Bárbaros a partir de 1688. Outros teriam voltado ao catolicismo ou às religiões nativas. O que fica para história é que esses índios foram os primeiros brasileiros protestantes. E que a Igreja Reformada Potiguara foi a primeira igreja evangélica do Brasil. 




Artigo de: João Loes
Isto É

28.5.17

A velhice não ajuda contra a estupidez


A velhice não ajuda contra a estupidez

Por R.M. Menezes

A frase do título é atribuída a Lutero. A velhice pode ser algo positivo quando se adquire sabedoria da Palavra de Deus, mas longe da Palavra os cabelos brancos e a pele enrugada não significam nada. Alguém já disse que os canalhas também envelhecem. Alguns velhos são tarados desprezíveis. Em geral são frágeis e dependentes... outros são sábios segundo o mundo e outros são agraciados por Deus com a sabedoria das Escrituras. Esta experiência é louvável. Mas que ninguém se engane, a sabedoria, o discernimento, o conhecimento da Palavra não tem idade.

Compreendendo, meditando e praticando a Palavra de Deus entendemos mais do que os nossos professores. O dom da graça, do arrependimento, do perdão, do agradecimento e contentamento podem alcançar uma criança e envergonhar um adulto. Não há idade para conhecer Deus, ter prazer em Deus, em sua Palavra.

Por que Davi escreveu que sabia mais que seus professores e os mais velhos? Via de regra, pelo senso comum, os mais velhos tem certa vantagem em experiência, estudo e observação. Cicatrizes e rugas são linhas de memórias proveitosas para alguns. Como disse Jó: “Com os idosos está a sabedoria, e na longevidade o entendimento”. (Jó 12:12).

No entanto o praticante da Palavra terá maior sabedoria, pois guarda os mandamentos de Deus, independente da idade. -- Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. (1 Timóteo 4:12). – A juventude sem a sabedoria da Palavra também é tão inútil quanto a velhice sem o conhecimento de Deus. Mas não um conhecimento vazio, mas com temor.

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre. (Sl 11.10).

Nosso esforço, pela graça, é fazer a vontade de Deus, não é apenas o conhecimento intelectual mas a prática. Esta verdade derruba muitos velhos e jovens. -- Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo. (Jo 7.17).

Além do mais se formos comparar o conhecimento bíblico dos antigos e depois dos apóstolos, percorrendo toda história da Igreja, nos temos em mãos maiores descobertas do Messias, sua Pessoa e seus ofícios. Ao longo da história, das gerações eleitas, Deus levantou seus mestres para cuidar da Sua Igreja e zelar por seu glorioso nome.

Por mais que possamos encher uma biblioteca do tamanho de uma cidade somente com livros sobre Cristo, o conhecimento pleno e verdadeiro não se pode medir, não se pode estocar, mas quando praticado, vivido na pele, um jovem pode superar um mais velho (e que isto não seja motivo de orgulho e vanglória).

Jovem, mantenha a Palavra de Deus sempre por perto, na leitura, na meditação, na memória, no coração. Ouça a voz do Espírito Santo em Jó 32.7-9:
Dizia eu: Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria.
Na verdade, há um espírito no homem, e a inspiração do Todo Poderoso o faz entendido.
Os grandes não são os sábios, nem os velhos entendem o que é direito.

O Salmista Davi compreendeu mais do que os antigos, Deus revelou ao seu servo a sabedoria oculta que estava em sua lei, Davi falou mais plenamente sobre Cristo do que qualquer um antes dele, rivalizou, no bom sentido, com Isaías. Há um evangelho sublime nos salmos. Cave que encontrará o tesouro. E ninguém pode cavar por você.

Assim como o Inimigo se esforça para espalhar o erro, nos esforcemos para adquirir um tesouro inestimável, a sabedoria verdadeira, que conduz à vida.

A idade é de grande proveito, pela experiência e pratica. Não busque sabedoria em outro lugar além da Palavra, e caso beba de outras fontes, filtre pela palavra. A palavra é ou não é a única regra de fé e prática? Cuidado! Que a curiosidade não te leve ao orgulho, que a ambição não te leve a glória de si nem a heresia. Temor, simplicidade e humildade sejam teus guias. Lembre-se, nossos pés são fracos e os caminhos tortuosos e escorregadios.

Deus deu rica sabedoria a Davi que transmitiu a seu filho Salomão que pode dizer:

E era a sabedoria de Salomão maior do que a sabedoria de todos os do oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios. (1 Reis 4:30). E mesmo assim, Salomão cometeu muitos erros por falta de temor.

Tudo que precisamos está em Cristo. A sabedoria (sophia) e o conhecimento (gnosis), tudo que o homem busca está em Cristo. Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência. (Colossenses 2:3). Cristo é o tesouro oculto de Deus.

É preciso andar neste Caminho, entrar por esta Porta e ver claramente com esta Luz. Jesus Cristo é o logos, a Palavra, o Grande Livro de sabedoria. Leia as bem-aventuranças e ouça sua voz com fé e amor. Siga seus passos nas Escrituras, sente-se aos seus pés, ouça sua voz. 

14.5.17

PRESBITERIANISMO NORDESTINO – Parte 1 - Pernambuco, Norte e Nordeste


PRESBITERIANISMO NORDESTINO – Parte 1
R.M. MENEZES

Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. 1 Coríntios 3:6

As primeiras sementes do protestantismo cristão no Brasil derivam de franceses e holandeses, os precursores da semente evangélica em nossa terra.

Em 1555 os franceses huguenotes desembarcaram no Rio de Janeiro, período curto, até 1567, após forte oposição portuguesa com recuos e martírios. Havia uma intenção de criar uma colônia francesa na Baia de Guanabara, Rio de Janeiro. E o protestantismo calvinista apesar de não ter sido estabelecido nesta ocasião, missionários como Jean de Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André la Fon deixaram por escrito a primeira confissão de fé da América e foram mortos por sua fé. Este documento é conhecido como a Confissão de Fé de Guanabara.

Em 1637 temos a presença holandesa com Mauricio de Nassau no Brasil. Os holandeses em Pernambuco implantaram todo um sistema eclesiástico com pastores, presbíteros, diáconos, membros, presbitério e sínodo. Prenunciava algo futuro, que Deus não deixaria de levar seu Evangelho em todos os lugares da terra. A ocupação holandesa no Nordeste do Brasil (1630-1652) sofreu dura oposição do romanismo colonial e os holandeses foram expulsos do Brasil. Mas o protestantismo retornaria com outros missionários.

Podemos resumir essas duas tentativas como duas fases de introdução incompleta do protestantismo no Brasil.

O século XIX é de particular destaque de maior semeadura e irrigação com os trabalhos missionários congregacionais e presbiterianos. Nesse século citado, nos EUA, por razões missionárias os presbiterianos e congregacionais uniram-se e formaram um acordo de intercâmbio de pastores entre as duas denominações. Esta união resultou em associações religiosas como a União Americana de Escolas Dominicais, a Sociedade Bíblica Americana, a Sociedade Americana de Educação e a Sociedade de Missões Estrangeiras.

Em 1836, vale destacar, antes da terceira (ou quarta) fase de evangelização protestante, chegou ao Rio de Janeiro, muito antes de Kalley, o missionário metodista R. Justus Sapaulding – o trabalho metodista oficialmente só vingou 20 anos depois da rápida presença do missionário Sapaulding (seis anos, apenas, tempo esse que se estende de 1836 a 1841). Spaulding, Murdy e Kidder, três missionários metodistas no Brasil fizeram um brilhante trabalho de distribuição de Bíblias. Há poucos relatos desse período metodista, mas se sabe que em 1864 a Igreja Católica proibiu a distribuição de Bíblias em Maceió e em 1865 também houve proibição de Bíblias na cidade de Escada-PE. Em 1867 já havia uma grande polêmica sobre “Bíblias falsas” e publicações católicas romanas combatendo a distribuição de Bíblias. Essa característica protestante de distribuição de Bíblia é um fato que merece destaque.

Em 1855 chega ao Rio de Janeiro o missionário congregacional escocês, Robert Reid Kalley. Missionário que realizou um importante trabalho de plantação de igrejas e em 1879 recebeu apoio da Inglaterra com a chegada do Rev. Fanstone. Este projeto missionário nascido no Rio de Janeiro irradiou-se para Pernambuco com o diácono congregacional Manoel José da Silva Viana. A primeira igreja congregacional de Recife e do Nordeste se chama Pernambucana (1873). Merece um estudo a parte.

Os primeiros missionários presbiterianos ao Brasil são oriundos da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América (PCUSA). Fundaram igrejas, seminários e colégios. Segundo o professor Alderi Souza de Matos, --:
“Os obreiros da PCUS foram os pioneiros presbiterianos no nordeste e norte do Brasil (de Alagoas até a Amazônia). Os principais foram John Rockwell Smith, fundador da igreja do Recife (1878); DeLacey Wardlaw, pioneiro em Fortaleza; e o Dr. George W. Butler, o “médico amado” de Pernambuco. O mais conhecido dentre os primeiros pastores brasileiros do nordeste foi o Rev. Belmiro de Araújo César, patriarca de uma grande família presbiteriana. Enquanto isso, os missionários da Igreja do norte dos Estados Unidos, auxiliados por novos colegas, davam continuidade ao seu trabalho. Seus principais campos eram Bahia e Sergipe, onde atuou, além de Schneider e Blackford, o Rev. John Benjamin Kolb”.

1859 – O ano marcante da chegada do primeiro missionário presbiteriano no Brasil:

Em 1859 a missão presbiteriana envia ao Brasil, S. G. Simonton, que desembarca no Rio de Janeiro. Em 1862 é organizada a primeira igreja presbiteriana do Brasil no Rio.

1873 – O marco do primeiro missionário presbiteriano no Nordeste do Brasil:

Em 1873 desembarca em Pernambuco o Rev. John Rockwell Smith, o qual exerceu um abençoado ministério de 1873 a 1892. O Rev. Smith visitou todas as principais cidades do Nordeste brasileiro. Organizou além da Igreja de Recife (1878), a de João Pessoa-PB em 1884 e a de Maceió em 1887.

Ainda em 1873 chega ao Recife o Rev. John Boyle e neste mesmo ano inaugura uma congregação presbiteriana na mesma cidade. Em 1875 o missionário Boyle vai para Campinas-SP e o Rev. Lecont vem para auxiliar Smith.

A partir de 1874 acontece a primeira expansão missionária presbiteriana de Pernambuco em direção a Maceió-Al e Pilar-Al. Havia nesse tempo muitos perigos de perseguição violenta de católicos romanos, de assaltos e apedrejamento.

Em 1875 o Rev. Smith visita Fortaleza-Ce e São Luiz-MA. Neste mesmo ano fundou um jornal, o primeiro jornal evangélico no Nordeste do Brasil.

Em 1877 houve a grande seca no Nordeste. Entre 1887 e 1879, um obreiro presbiteriano paraibano foi perseguido e martirizado. Sr. Filadelfo de Souza teve sua casa assaltada por um grupo armado, após este fato sua esposa enlouqueceu e morreu.

1878 – Organização da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife.

Em 1878 – Ano marcante para o presbiterianismo nordestino. O Rev. Smith organizou a Primeira Igreja Presbiteriana do Recife, ministrada pelo Rev. Blackford.

Havia na fundação da Igreja Presbiteriana de Recife três ministros brasileiros: Rev. João batista Lima, nascido em Porto Calvo-AL, Rev. Belmiro de Araújo Cesar, natural de Goiana-PE e o Rev. José Primênio, natural de Brejo da Madre de Deus-PE.

O Rev. Belmiro de Araújo Cesar, também jornalista, tornou-se professor de Inglês, Grego e Geografia.

Em 1878 fundam-se os trabalhos presbiterianos em Nazaré da Mata-PE e Goiana-PE.

Em 1879 o Rev. Smith era combatido diretamente de Portugal por meio de jornais e livros.

Ainda em 1879 houve um fato lamentável, outro martírio, próximo a cidade de Caruaru-PE, local próximo a São Bento do Uma-PE, a vítima foi o presbiteriano Jose Antônio dos Anjos (ou Antos).

Em 1880 chega reforço missionário ao Recife, o Rev. B. F. Thompson, recém-ordenado em 1879, e após sua chegada em Recife viveu apenas dois meses, acometido de uma febre tropical, possivelmente. Uma grande tristeza abateu o trabalho missionário em campo pernambucano.

Ainda no mesmo ano, em 1880, chega ao Recife o Rev. Lacy Wardlam. Em 1882 realiza missões no Ceará e em Goiana-Pe, nesta cidade é hostilizado por moradores, porém um juiz municipal acalmou a situação. Sempre havia o perigo de morte para os missionários protestantes.

Em 1883 havia cultos em vários locais, como Itamaracá-PE, Pão de Açúcar-AL, Penedo-AL, mas todos locais com grande hostilidade católica romana. 1887 é fundada a Igreja em Maceió-AL e também em Pão de Açúcar-AL.

1888 é um ano marcante, ano de fundação oficial do presbitério de Pernambuco, separando-se dos Concílios Americanos, Sul, Norte e Sínodo de Baltimore.
A partir de 1888 passam a constituir quatro presbitérios:
1.            Rio de Janeiro.
2.            Pernambuco.
3.            São Paulo.
4.            Oeste de Minas Gerais.

1889 o Presbitério de Pernambuco ordena dois ministros, o Rev. W. C. Poter, americano, e Rev. Juventino Marinho, pernambucano de Goiana. Ambos treinados pelo Rev. Smith.

1894 o Rev. Butler chega a Garanhuns-PE e dá apoio em Canhotinho-PE. Em 1895 quinze pessoas são convertidas em Garanhuns. E é realizada a primeira Santa Ceia nesta cidade.

Em 1888 só havia três presbitérios: Pernambuco, Rio de Janeiro e Campinas/Oeste de Minas Gerais. Este último presbitério posteriormente dividiu-se e organizou-se em presbitério de São Paulo e presbitério Oeste de Minas Gerais.

O presbitério de [Norte] Pernambuco abrangia uma grande área interestadual compreendia Recife, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pará, Fortaleza até o Amazonas. E o presbitério Sul de Pernambuco cingia o Agreste de Pernambuco, e Alagoas até Paulo Afonso na Bahia.

Igrejas organizadas por missionários presbiterianos antes de 1888, antes da formação oficial dos presbitérios:
1.            Paraíba.
2.            Mossoró-RN.
3.            Fortaleza-CE
4.            Garanhuns-PE
5.            Pernambucana – 1879
6.            Recife – 1878
7.            Goiana-PE – 1886
8.            Laranjeiras-SE – 1884
9.            Nazaré-PE – 1887
10.          Paulo Afonso-BA – 1886
11.          Maceió – 1887
12.          Pão de Açúcar-AL – 1888

Igrejas organizadas depois da formação do presbitério de Pernambuco antes de 1927:
1.            Palmares – 1903
2.            Catende – 1926
3.            Garanhuns – 1900
4.            Águas Belas – 1922
5.            Macéio – 1908 (reorganizada)
6.            Canhotinho – 1902
7.            Gameleira – 1914
8.           Caruaru – 1927

A sede organizacional do presbitério sul de Pernambuco situava-se nos Estados Unidos, o Sínodo de Baltimore, posto missionário de um importante e desconhecido homem, Rev. John Leigton Wilson, missionário americano que serviu por 14 anos na África e foi secretário da Junta de Missões Presbiterianas Americana. Foi este homem que enviou para o Brasil três missionários: Simonton, Blackford e Scheineider. Cujo trabalho missionário formou a Igreja Presbiteriana do Brasil.

**
Referência:
Presbitério Sul de Pernambuco, História do Presbiterianismo no Nordeste Brasileiro, Rev. Elias Sabino de Oliveira.
O Presbiterianismo no Nordeste do Brasil (II), Claúdio Henrique Albuquerque, Vox Reformata, Publicação do SPN. 2012, nº 2, Vol. I.




28.9.14

A importância da preservação da memória histórica da igreja local - Igreja Congregacional de Poço Fundo-PE

A importância da preservação da memória histórica da igreja local - Igreja Congregacional de Poço Fundo-PE


Restauração do templo de Poço Fundo-PE

Restauração

Ontem e hoje, destaque para o templo em ruínas abaixo à esquerda na imagem


A memória histórica ou institucional é um dos fundamentos que dá sentido ao fortalecimento das bases, preservar a memória é manter algo vivo. Quando nos referimos a memória de uma igreja local não é diferente. A pequena igreja histórica de Poço Fundo, interior do agreste de Pernambuco, é fruto dos primeiros trabalhos evangelísticos na região, no começo da década de 1930, através de missionários congregacionais vindo da Inglaterra e com apoio de irmãos de Recife e Caruaru, no mesmo estado.

O resgate e a preservação do patrimônio não fazem sentido sem preservar a história dos pioneiros, as pessoas que avançaram com o Evangelho de Jesus Cristo, pois é uma construção que traz as marcas das pessoas que fizeram parte dela.

Tanto os pioneiros que passaram por esta região como os que continuaram trabalhando nela têm dado sua contribuição para construir essa história que se busca preservar, hoje, através do Pr. Celso Galindo e irmãos da Igreja Evangélica Congregacional de Poço Fundo. Este pastor juntamente com os irmãos da cidade de Poço Fundo e outras localidades lutaram para que a memória fosse preservada, conservaram fotos, documentos, objetos e relatos da época dos primeiros trabalhos missionários na região.

O pequeno templo estava em ruínas, abandonado por décadas, e sujeito a todo tipo de descaso e destruição. Por pouco uma nova rodovia não destruiu a área com entulhos. Mas com o empenho dos irmãos da Congregacional da cidade de Poço Fundo aos poucos o templo foi restaurado e em janeiro de 2012 o templo foi reinaugurado. Hoje o templo é usado semanalmente durante o meio da semana e uma vez por mês, aos sábados, é realizado um culto. Nos domingos os irmãos da igreja congregacional se reúnem no templo no centro da cidade. O templo antigo é afastado da cidade.

Preservar a memória da igreja local não é só resgatar o passado, é também compreender como nasce um trabalho missionário e reconhecer que o passado tem muito a ensinar, reconhecer que houve trabalho suado para que o solo fosse preparado para a semente, que os antigos é que araram o solo rochoso e que muito foi feito por aqueles irmãos do passado, e que a igreja de hoje apenas entrou no trabalho dos precursores. -- Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho. João 4:38

Preservar a memória é ter referenciais para construir o presente e enxergar o futuro, é descobrir os valores e renovar os vínculos com os antigos irmãos, é refletir sobre a história, não apenas como quem recorda, mas para andar nos caminhos dos pioneiros. É algo que contribuiu para a formação da consciência histórica dos membros da igreja local e dos cidadãos que moram em toda região do agreste e de todo Pernambuco.

A restauração do templo e preservação do local tem uma importância permanente da consciência da região e um componente fundamental da identidade da igreja local. O passado, presente e futuro constituem uma continuação, é algo continuo. Todos nós estamos enraizados no passado. Seja da família, comunidades, nações ou até mesmo da memória pessoal. A importância da preservação do patrimônio é algo valioso para as próximas gerações.


Pintura em tela do antigo templo

Rev. William Bannister Forsyth 

Antigo púlpito do templo


Um breve resumo sobre o trabalho missionário na região:

Por volta dos anos de 1930, um missionário congregacional Inglês chamado William Forsyth realizou um trabalho evangelístico na região do Agreste Pernambucano, na região do sítio Porteiras, zona rural de Santa Cruz do Capibaribe, construiu a primeira Igreja Evangélica da cidade, a Igreja Evangélica Congregacional próximo a vila de Poço Fundo. Tive acesso a alguns documentos dessa igreja e registros de Forsyth por volta de 2005. Cheguei a visitar as ruínas dessa igreja histórica, ela estava num terreno abandonado, cheio de mato, sem teto, sem portas e janelas.

Através do Pr. Celso Galindo tive a oportunidade de conhecer um pouco da história dessa igreja e algumas coisas me chamaram a atenção. Alguns bancos de madeira, o púlpito e outros objetos foram preservados por algumas pessoas da antiga igreja em suas casas. Nas ruínas da igreja ainda dava para perceber a mancha na parede provocada pela fumaça do candeeiro que ficava ao lado do púlpito. Imaginei Forsyth pregando ali durante a noite.

Um dado dos mais importantes, é que Forsyth era um missionário de linha calvinista e ensinava as antigas doutrinas da graça naquela região. Um dos registros é que após uma grande temporada no campo missionário nos povoados do Agreste pernambucano, o missionário recebeu uma visita de um tipo de Conselheiro de Missões, que ao ver um povo tão simples e analfabeto sendo doutrinado pelas doutrinas da graça estranhou que tal congregação compreendesse os ensinamentos e sugeriu que Forsyth não ensinasse doutrinas mais profundas como eleição, predestinação e graça soberana. Prontamente Forsyth rebateu e disse que continuaria a pregar toda verdade. -- Acho essa história comovente. – Com certeza ele tinha a confiança na obra de ensino do Espírito Santo nos escolhidos de Deus.

Algumas observações: Por volta de 1930 o Agreste pernambucano era uma região castigada por falta de infraestrutura. A região ainda hoje é difícil de se morar com seu clima semi-árido, solo seco e rachado, presença da caatinga e muito calor. No início dos anos 30 do século passado é registrado um período de grande seca. Um dos registros de Forsyte é que ao fazer missões na região levava apenas o alimento suficiente para uma viagem a cavalo, não levava suprimentos além de uma viagem, pois não queria chegar numa casa estando abastado quando encontrava famílias sem nenhum alimento em seus lares. Muitas vezes, Forsyth e sua esposa Edith, ao evangelizar uma família participavam de “refeições” nessas casas à base de farinha de palma e água barrenta. Conta o missionário que à mesa com esse povo sofrido orava ao Senhor agradecendo o alimento e suas lágrimas se misturavam a farinha no prato.


Rev. William Bannister Forsyth 


Ele foi um missionário que realmente chamava o perdido em lugares distantes. Ensinou doutrinas profundas e amou as doutrinas da graça. (...)

Rev. William Bannister Forsyth nasceu no dia 31 de julho de 1906 e morreu no dia 20 de março de 2007, em Wiveliscombe, no sul da Inglaterra.


Em 1999, ainda pregando aos 93 anos de idade, Rev. Forsyth escreveu ao seu neto Tim: "Setenta e quatro anos se passaram: já preguei literalmente milhares de vezes, e ainda é a mesma sensação de quando eu ouvi o Evangelho pela primeira vez: o Evangelho cristocêntrico, fundamentado na Bíblia é fonte inesgotável de vida”.

William Bannister Forsyth é autor de uma biografia de Robert Kalley, o primeiro missionário evangélico moderno, JORNADA NO IMPÉRIO, publicado pela Editora Fiel: http://www.editorafiel.com.br/produto/4018312/Jornada-no-Imperio


22.5.10

Início do trabalho evangélico em Caruaru e região do Agreste – Relato histórico

Vejetação do Agreste

1a Igreja Evangélica em Caruaru


Dia 15 de agosto de 1898, o missionário inglês Charles Kingston, pastor da Igreja Evangélica Congregacional Pernambucana no Recife visitou Caruaru para proclamar a mensagem de Cristo. O trabalho missionário sofreu dura perseguição, porém o pastor Kingston continuou orando e trabalhando. Esta semente originou a primeira Igreja Congregacional em Caruaru.

O romanismo sempre muito forte na região do Nordeste fez de tudo para expulsar o missionário da região. Arrastaram os móveis do casal Kingston para a rua e puseram fogo, além de agredirem fisicamente a esposa do missionário. Após viverem muita pressão o casal Kingston refugiou-se pela vizinhança e depois transferiram a residência para Vitória de Sto. Antão.

O pastor Kingston foi substituído pelo Sr. José dos Santos, um simples cristão humilde e dedicado. Este veio a sofrer o martírio. Dia 5 de novembro de 1902, pela manhã, quando se dirigia à casa de oração, acompanhado de sua família, o irmão Santos foi apunhalado por um grupo de fanáticos católicos. Conforme versão da época, o servo Santos suplicou por sua vida e não obteve misericórdia dos seus algozes. Sua esposa foi espancada. Os homicidas e mandantes foram identificados e submetidos a júri, foram absolvidos. Após esse incentivo à intolerância religiosa, outras crentes foram perseguidos e maltratados em várias ocasiões. Invadiam locais de cultos, quebravam mobílias, rasgavam livros e apedrejavam as pessoas.

Em 1906, o frade capuchinho, Frei Celestino realizou “santas missões”, inflamando católicos a tomarem com violência Bíblias dos crentes para destruir em praça pública com fogo. O povo presenciava isso com naturalidade e as autoridades faziam vista grossa. Jornais de Recife é que tomaram a iniciativa em denunciar, a Constituição já ordenava respeito às crenças religiosas. Até 1908 a perseguição correu naturalmente.

Em 1911 havia aproximadamente duas dúzias de evangélicos em Caruaru. Em 1921 a Sra. Kingston, já viúva, retornou a Caruaru trazendo outra missionária, Sra. Frost, ambas iniciaram uma escola de alfabetização e desenvolveram obras de ação social. O pastor Haldane, líder da Igreja Pernambucana dava apoio constante a Caruaru. Em 1924 a Sra. Frost faleceu acometida por febre amarela. Seus restos mortais estão no cemitério São Roque e na sepultura está gravado: “Ela fez o que pode”.

Muitos outros irmãos deram sua energia à propagação do Antigo Evangelho na Região: missionários e missionárias, ingleses, escoceses e pernambucanos. Colportagem e pregação fizeram nascer o trabalho evangélico na região do Agreste pernambucano.

W. B. Forsyth deixou registrado um documento de 41 páginas (o qual tenho uma cópia em mãos) narrando o trabalho pioneiro da Igreja evangélica no Interior de Pernambuco, especialmente no Agreste. Não posso deixar de compartilhar tal raridade.

Conta forsyth, missionário congregacional inglês, que desembarcou em Recife em 1928 indo de encontro ao pastor Thomas Duncan, residente em Caruaru. Sua noiva Edith Paton já estava em caruaru morando com a missionária Rose Stenhen. Disse Forsyth ao amigo Duncan ao ver a igreja e a cidade que “era melhor morar em Caruaru do que em Recife”.

O ponto alto da missão de Forsyth foi viajar pelo Agreste (Porteiras e Poço Fundo). Era tempo de seca e viu cenas tristes, flagelados andando como zumbis pelas estradas em busca de socorro. Apesar do flagelo, o missionário diz que amou a terra de cactos, “terra amada! Inesquecível! Não me admiro que o sertanejo ame tanto a sua terra: basta chover e todo desterrado volta para lá”.

Grandes distâncias Forsyth viajava de Chevrolet (emprestado do Sr. Duncan). Acostumado com as boas estradas da Inglaterra não acreditava como um automóvel conseguisse andar em trilhas tão ruins. Hospedava-se em casas rústicas e de chão batido. Nas regiões mais afastadas andavam a noite com tochas para iluminar o caminho e dormiam em redes. Eles pregavam à luz de lamparina improvisada com lata de conserva e pavio de algodão. Verdadeiros crentes.

Esses missionários inicialmente pregavam com ajuda de outro missionário interprete que chegava primeiro ao campo. Uma das orientações dada a Forsyth era que não falasse de coisas profundas da Bíblia e da doutrina, mas que falasse com simplicidade das coisas elementares do Evangelho. Muita gente não sabia ler e não seria capaz de entender certas verdades. Mas Forsyth aprendeu que mesmo analfabetos, mas sob a orientação do Espírito Santo “o profundo lhes era claro”. Eram capazes de assimilar verdades doutrinárias tanto quanto os crentes cultos. Muita gente simples confessou Jesus Cristo como Senhor e Salvador em muitos pontos de pregação, congregações e igrejas.

As perseguições eram variadas, algumas vezes quando chegava um grupo de crentes numa localidade e davam início ao evangelismo, os sinos das igrejas romanas começavam a tocar furiosamente, o povo corria para saber o que era, anunciavam: “Invasão da Nova Seita!”. Os padres atiçavam os fiéis a expulsar os crentes dos vilarejos. Com vivas a Virgem Maria e a Santa Madre Igreja Católica Romana. Os padres exigiam retirada imediata, mas os missionários resistiam alegando que o Brasil era uma pátria secularizada e que não havia igreja oficial e que a Constituição garantia liberdade de culto. Quando os padres não conseguiam expulsar na base do medo, desafiavam: “Quem lhe autorizou a pregar? Que bispo lhe impôs as mãos?”. O missionário respondia: “Homem algum me autorizou a pregar. Cristo Jesus mandou que os seus discípulos pregassem o Evangelho a toda criatura. O Senhor Jesus me autorizou a pregar!”. Isso debaixo de vivas a Maria e pedradas.


Fonte: Material datilografado por Forsyth (sem data.)


Continua...

4.5.10

Povo sertanejo -- Darcy Ribeiro







Essa série de episódios registra o povo sertanejo, vale a pena conhecer o olhar histórico e antropológico do povo nordestino. Como diz Suassuna: "Beleza grandiosa, terrível, não graciosa".

10.1.10

O CALVINISMO EM PERNAMBUCO (Fragmentos de texto)

Olinda foi tomada em 16 de fevereiro de 1630 pelos holandeses. Em 10 de março do mesmo ano realizaram orações solenes para agradecer a Deus a fácil conquista. Este foi o primeiro ato de culto público e oficial do calvinismo em Pernambuco.



A igreja calvinista em Pernambuco foi organizada em sínodos, classes e presbitérios, tudo dependia do supremo concílio e do governador.



As atribuições dos sínodos abrangiam a administração e disciplina eclesiástica, supervisão de costumes, instrução primária e catequese de índios.



Havia ministros permanentes em Recife, Olinda, Itamaracá, Cabo de St. Agostinho e Serinhaém.



Os ministros calvinistas não suportavam ouvir falar em imagens, confissões e procissões.



Alguns ministros aprenderam o tupi e nesta língua produziram um catecismo de fé reformada e diversas literaturas.



Era admirável o fato de que os índios sendo fetichistas como eram compreenderam e adoraram um Deus em Espírito, sem nenhuma exterioridade cultual, segundo os ministros calvinistas ensinavam.



O famoso padre Antonio Vieira testemunhou de modo ocular o calvinismo entre os indígenas, disse: “Na veneração dos templos, das cruzes, dos sacerdotes [os índios] estavam muitos deles tão calvinistas e luteranos como se nascessem na Inglaterra ou Alemanha. Eles chamam a igreja [católica romana] de ‘Moanga’, que quer dizer Igreja falsa, é a doutrina ‘Morandubas Abarés’, que quer dizer ‘patranhas (história falsa) dos padres’”.



Os calvinistas não edificaram muitos templos em Pernambuco. Havia uma predileção por ocupar os templos católicos romanos durante a colonização.



Quando estudamos o Brasil Holandes não se pode deixar de citar a grande administração de Maurício de Nassau.



A estratégia principal das missões evangélicas posteriores ao período holandês foi a distribuição de Bíblias, folhetos e livros. Os católicos trabalharam intensamente contra a distribuição de material protestante durante boa parte dos séculos 18 e 19, sem grandes êxitos. Os católicos chamavam a Bíblia Ferreira de Almeida de “bíblia falsificada” e a literatura evangélica de “livrinhos perigosos”.



Em 1868, Robert Kalley, do Rio de Janeiro mandou para Pernambuco um diácono da igreja evangélica fluminense – Manoel Jose da Silva Viana, que distribuía e vendia Bíblia. Em julho de 1871, Viana formou uma congregação em Recife. Em 1873 a congregação ganhou status de Igreja, neste ano Kalley batizou 12 convertidos da igreja pernambucana.



Viana repassava Bíblia e literatura evangélica, e isto era de modo geral mal visto e causava muitas confusões por onde viajava. Muitos dos livros que transportava eram confiscados por autoridades policiais e queimados, os hotéis negavam estadia para ele. Provavelmente muitas vezes correu risco de ser morto, muitas vezes espancado e preso. A causa evangélica pernambucana é eternamente devedora ao Manoel Viana. O congregacionalismo se estendeu por muitas cidades do interior de Pernambuco: Jaboatão, Vitória, Caruaru e muitas outras.



Os presbiterianos chegaram logo em seguida. O propagador do presbiterianismo em Pernambuco foi o missionário John R. Smith, que chegou em Recife em 1873. A primeira igreja foi constituída em 1878. Respectivamente o presbiteriano chegou a Garanhuns, Goiana, Canhotinho, Palmares, Areias e Caruaru.



No começo do século, dos púlpitos romanistas, a intolerância religiosa era “brutal e evidente”, a ordem era: “meta o cacete nos nova-seitas”, pelos registros isso partia de missionários capuchinos, da mesma ordem de Frei Damião.



Destaques do livro histórico Seitas Protestantes em Pernambuco, Subsídios Históricos, com um estudo sobre o calvinismo em Pernambuco, ano 1906, por Vicente Ferrer de Barros Wanderley Araujo.